Sob prisão domiciliar, ex-vice-prefeito tenta calar a imprensa intimidando jornais em Itaúna
O ex-vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Neto (Foto: Reprodução Linkedin)
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG – negou provimento ao agravo de instrumento interposto por Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto e manteve a decisão que declarou a extinção de seu mandato como vice-prefeito de Itaúna. O acórdão, relatado pela desembargadora Maria Cristina Cunha Carvalhais, revogou a liminar que suspendia os efeitos do afastamento e confirmou a legalidade do Ato do Presidente nº 01/2026 da Câmara Municipal.
Os desembargadores rejeitaram as teses da defesa — que alegava cerceamento de defesa e ilegalidade na decisão unilateral da mesa diretora. O colegiado definiu que a ausência do político por mais de 15 dias sem aval legislativo gera vacância automática.
Mesmo após o TJMG confirmar a extinção definitiva de seu mandato por abandono de cargo, Hidelbrando Neto envia notificações para veículos locais exigindo censura a termos como “ex-vice” e “foragido”.
Investigado pela Polícia Federal por organização criminosa e lavagem de dinheiro, o ex-vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Neto, iniciou uma ofensiva jurídica contra a imprensa local. Cumprindo prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica, o político enviou notificações extrajudiciais para a GAZETA DE ITAÚNA e outros jornais, em uma tentativa de ditar o que os jornalistas podem ou não publicar sobre o seu caso.
No documento, a defesa do político contesta de forma detalhada a cobertura jornalística da GAZETA DE ITAÚNA sobre os desdobramentos da Operação Rejeito/Intrafortis, sua fuga para os Estados Unidos e a posterior perda de seu cargo político. Sob o pretexto de buscar uma “solução amigável”, a defesa exige a alteração ou remoção de conteúdos, questiona o tom dos editoriais e tenta proibir o uso de termos que descrevem sua real situação jurídica e política.
A insistência contra os fatos e o TJMG
O ponto que mais chama a atenção na postura do político é a sua insistência em se autodeclarar “vice-prefeito em exercício”. A narrativa, contudo, esbarra na realidade dos tribunais. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já bateu o martelo e acatou a decisão da Câmara Municipal que declarou a vacância e a extinção definitiva do cargo de vice-prefeito.
A cassação baseou-se estritamente na Lei Orgânica do Município e no regimento interno do Legislativo, que proíbem expressamente o afastamento do chefe do Executivo por mais de 15 dias sem autorização parlamentar. Hidelbrando permaneceu cerca de cinco meses no exterior após a deflagração das investigações da PF, sem dar expediente ou prestar qualquer justificativa legal à Câmara.
Ao exigir que a imprensa não o trate como “ex-vice”, o político tenta ignorar uma decisão colegiada do Tribunal de Justiça para criar uma realidade paralela perante a opinião pública.
Ofensiva coletiva contra a Liberdade de Imprensa
A GAZETA DE ITAÚNA não foi o único alvo. A tática de notificar múltiplos veículos de comunicação da cidade configura o que juristas chamam de “assédio jurídico coletivo” — uma tentativa de sufocar e intimidar o jornalismo do interior pelo receio de litígios.
Todos os termos utilizados pelas reportagens locais — incluindo “foragido desde setembro”, “esquema de propina em mineração” e “nome incluído na Interpol” foram extraídos fielmente de relatórios oficiais da Polícia Federal e de decisões do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).
Compromisso Inabalável
A GAZETA DE ITAÚNA reitera seu compromisso com a verdade e com o direito da população de acompanhar as investigações que envolvem figuras públicas da cidade. O espaço para o contraditório e para a versão dos advogados do investigado sempre esteve e continuará aberto, como manda o bom jornalismo, desde que seja sobre o que foi publicado. Uma das muitas reclamações do ex-prefeito é que ele nunca foi ouvido pelo jornal. Precisamos lembrar que ele estava em local não sabido?
Quando a mãe de Neto, Gláucia Santiago, ligou para o jornal desmentindo os fatos publicados sobre os desdobramentos da Operação Rejeito, a Intrafortis; o próprio ex-vice prefeito conversou com o jornal e ficou acertado que enviaria uma nota sobre o assunto. Esta nota nunca veio, mas o acerto sobre o espaço foi documentado para a segurança da GAZETA.
O que o veículo não aceitará é a tentativa de controle editorial ou censura velada por parte de quem quer que seja.
