“Sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado”

“Sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado”

Foto: reprodução

A mãe do menino de 9 anos que foi gravado segurando réplicas de armas de fogo acionou a Justiça suspender o contato da criança com o pai. O episódio ocorreu em Natal (RN), nas manifestações após o primeiro turno das eleições
Nas imagens que circulam na internet, o garoto aparece vestindo a camisa da Seleção Brasileira em cima do capô de um veículo, cercado por adultos que celebravam o resultado eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro (PL). No vídeo, a criança é incentivada a erguer e simular o manuseio de objetos semelhantes a uma pistola e a um fuzil.
Separada do pai do menino há cerca de oito anos, a mãe informou ao Conselho Tutelar de Parnamirim que o filho passava os fins de semana com o ex-companheiro. Afirmou que só tomou conhecimento do fato do filho ter sido levado ao ato político quando as imagens ganharam repercussão, indo resgatar o menino imediatamente na mesma noite.
Por meio de nota oficial, a mãe repudiou a exposição do filho e declarou que o entusiasmo político não pode legitimar o uso de crianças como peças de propaganda ou veículos para mensagens de agressividade. Diante do ocorrido, ela buscou amparo legal para que o pai fique proibido de sair com o menor até que os fatos sejam esclarecidos e a guarda formal seja definida pela Justiça. Por enquanto, o contato entre pai e filho ocorre apenas por telefone.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte abriu inquérito para apurar o caso.
O pai e a mãe confirmaram em depoimento que os objetos mostrados nas imagens eram brinquedos (armas de estopim e simulacros) pertencentes ao próprio pai. Conforme os órgãos de proteção à infância, embora o uso de réplicas afaste o crime de fornecimento de armas reais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe a exposição de menores a situações que façam apologia à violência. O pai poderá responder por descumprimento dos deveres parentais e por expor o filho a vexame e constrangimento, cuja pena pode chegar a dois anos de detenção.
O vereador Gabriel César (PL), um dos organizadores do evento, defendeu a conduta do pai e questionou o problema de a criança portar um brinquedo. Em contrapartida, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compartilhou o vídeo criticando a cena e afirmando que “sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado”.

Redação

Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *