Atlético começa a semana em alta e reencontra o caminho da confiança
A semana começou do jeito que o torcedor atleticano precisava: com vitória no clássico. O 2 a 1 sobre o Cruzeiro, de virada e dentro de casa, foi mais do que três pontos, foi uma resposta. Resposta ao momento instável e, principalmente, à própria torcida, que no início do mês chegou a protestar na porta do CT, cobrando atitude e resultados.
Na sequência, veio a estreia no Campeonato Brasileiro. Um empate por 2 a 2 contra o Palmeiras, uma grande força do futebol nacional. E aqui vale o registro: o Brasileiro é outro patamar. Muito mais exigente, muito mais longo, muito mais decisivo do que o Campeonato Mineiro. Diante disso, o resultado foi menos importante do que o desempenho.

O Atlético mostrou evolução. Organização, competitividade e, principalmente, reação. Não foi um time passivo, nem acomodado. Foi um time que encarou um adversário forte e deixou a sensação de que pode, sim, fazer uma temporada mais sólida do que muitos imaginavam semanas atrás.
Cruzeiro: do discurso de grandeza ao mês da incerteza

Se o Atlético começa a semana tentando virar a chave, o Cruzeiro vive o movimento contrário. E de forma brusca.
Em poucos dias, o cenário mudou completamente. Primeiro, a derrota no clássico, no domingo, dia 25, diante do maior rival. Um jogo que já carrega peso por si só, mas que expôs mais do que o placar: um time distante da expectativa criada no início da temporada.
Dias depois, veio o golpe mais duro. A goleada por 4 a 0 para o Botafogo, no Rio de Janeiro. Um resultado que entra para a lista dos mais constrangedores dos últimos anos, ainda mais diante de um adversário que o Cruzeiro não perdia havia uma década. Foi uma atuação apática, sem reação, sem leitura de jogo e que ligou o sinal de alerta de vez.
Investir é importante. Ter elenco, também. Mas futebol não se resolve apenas no papel. E o Cruzeiro começa a sentir o peso dessa equação mal resolvida: expectativa alta, resultado baixo e pressão crescente.
Quando o tempo passa, mas a música fica

A Rolling Stone Brasil trouxe um dado que diz muito sobre a força da música brasileira: “Tempo Perdido”, da Legião Urbana, entrou no Top 4 das canções de rock mais ouvidas do país, segundo a StrmMusic. Um detalhe que impressiona ainda mais: a música foi lançada em 1986, há quase 40 anos, no álbum Dois.
Como alguém que já tocou na noite e sempre teve o rock brasileiro como referência, não vejo isso como nostalgia. Vejo como permanência. Em um tempo de músicas feitas para durar poucos dias, uma canção atravessar décadas diz muito sobre sua verdade.
“Tempo Perdido” não envelheceu porque fala de sentimentos que continuam atuais. É uma música que não depende de moda, algoritmo ou tendência. Ela simplesmente existe e continua fazendo sentido.
Renato nas telas: um legado que merece mais do que disputas

A notícia da semana mexeu com quem ama a música brasileira. Renato Russo vai ganhar um filme. Segundo revelou a coluna Play, do jornal O Globo, o longa será dirigido por Mauro Mendonça Filho, com roteiro assinado por ele e por Felipe Sholl. As filmagens começam ainda em 2026, em parceria com a Globo Filmes, Tambellini Filmes e Downtown Filmes. O título já diz muito: O Que é Demais Nunca é o Bastante.
Como fã da Legião Urbana, minha banda favorita, e alguém que acompanha de perto a cultura brasileira, recebo essa notícia com alegria. Ainda mais em um momento tão positivo para o cinema nacional, que voltou a ocupar espaço, público e respeito. É simbólico que a obra de Renato seja revisitadas justamente agora, quando o Brasil volta a olhar para sua própria história cultural com mais orgulho.
O filme promete retratar a fase adulta de Renato, misturando o auge da Legião Urbana com seus conflitos pessoais. Um recorte necessário. Mas aqui cabe um ponto de reflexão e de preocupação.
Há tempos, a condução do legado de Renato Russo por seu filho, Giuliano Manfredini, deixa a desejar. Não pela intenção, mas pelo resultado. A obra de Renato é grande demais para caminhar de forma isolada, distante da própria história da banda que a construiu.
A relação estremecida com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, por exemplo, é algo que pesa. A Legião Urbana foi, e sempre será, mais do que um nome. Foi um encontro raro de talentos, ideias e sentimentos. E esse legado só se sustenta quando é tratado de forma coletiva, generosa e à altura do que representou.
O filme é bem-vindo. Necessário. Mas Renato, e principalmente seu público, merecem mais do que projetos pontuais. Merecem memória, diálogo, respeito à história e união em torno de um dos maiores patrimônios da música brasileira.
Porque a Legião não é passado.
É presente. E, principalmente, é de todos nós.

