OBSERVATÓRIO DA CORTE
A população de Itaúna, que clama nas redes sociais pela aplicação da lei no caso das faltas do vice-prefeito, Hidelbrando Neto, no cargo para o qual foi eleito, pode ter uma surpresa.
O vice-prefeito está foragido da Polícia Federal, possivelmente nos Estados Unidos, depois que sua prisão preventiva foi decretada por suspeita de participação em uma quadrilha envolvendo servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e órgãos fiscalizadores, com a liberação de documentos questionáveis para permitir a exploração de minério nas montanhas de Minas Gerais.
Mas o que está em debate esta semana, no Legislativo, não é sobre a Operação Rejeito, é o fato, comprovado, de que o vice-prefeito não está na cidade há mais de um mês, portando não está exercendo o cargo. Há alguma dúvida nisto? Alguém o viu? Não.
Mas a população precisa saber o que está acontecendo nos bastidores da Comissão Processante, que foi aprovada na terça-feira, 21. A mãe do vice-prefeito, Gláucia Santiago, estava assistindo à votação. Normal, tem todo o direito. O que ela não tem direito é o fato, segundo várias e várias informações recebidas, de fontes sérias, honestas, de ter se reunido com os vereadores do PL e do Novo, partido agregado, para que a denúncia não passasse. Gláucia deve ter lembrado a estes vereadores, uns sete deles, que durante suas campanhas eleitorais, eles receberam recursos do fundo eleitoral do PL para se elegeram. E, agora, ela deve querer cobrar por isto.
Mas, Gláucia pode ter ido muito mais longe. Quando chegou à Câmara, trouxe um advogado de BH com ela. O vereador Alexandre Campos, leu um longo discurso, cheio de argumentos (que não tinham nada a ver com o caso) para tentar impedir a admissão da denúncia e, consequentemente, a Comissão Processante. Quem ouviu, pode até ter pensado que ele sabia do que estava falando, mas que nada! O texto foi escrito e entregue pelo advogado que veio com a Gláucia, segundo as informações que chegaram até à GAZETA.
É tanta pressão de todos os lados; o vereador Dalmo Assis foi torturado durante a madrugada, por telefone, e acabou desistindo da relatoria do CP, para a qual foi sorteado na terça-feira.
Gláucia e vereadores aliados não estão nem aí para a lei. Vão fazer de tudo para não cassarem o mandato de alguém que é acusado de crimes seríssimos contra o meio ambiente, que teve que dar explicações na CPI de Brumadinho, e que está foragido. Foragido! Por que não está aqui para se defender? Mesmo preso, preventivamente, poderia se defender. Por que fugiu?
E por que a Gláucia entende que ele não pode ser cassado, se não está aqui na cidade? Porque ela acha que tem o direito de intimidar os vereadores (que nem se importam tanto com isso) para que votem contra uma CP legítima?
A população, dona de um poder maior, o voto, deve ficar de olho e cobrar do vereador que ajudou a eleger, que o processo seja limpo e dentro da lei.

