Tutor decepa as patas do cavalo que estava cansado durante evento rural
Fotos: reprodução
O domingo, 17 de agosto, foi marcado pela circulação de imagens fortes e revoltantes em Bananal, interior de São Paulo. Moradores denunciaram um caso de extrema crueldade contra um cavalo de cor clara, encontrado mutilado em uma estrada rural do município.
De acordo com as denúncias, que chegaram à Gazeta de Bananal e também foram encaminhadas às polícias Civil, Militar e Ambiental, o animal teve as patas decepadas e o abdômen perfurado por golpes de facão. Vídeos que acompanham as denúncias mostram o suposto autor do crime com a arma presa à cintura. Nelas, o homem aparece com uma garrafa de bebida nas mãos, montado num cavalo semelhante ao que foi morto. Relatos afirmam que ele estaria embriagado e teria atacado o cavalo porque o animal não conseguiu subir um trecho íngreme do trajeto.
O cavalo foi deixado na estrada, próximo a um barranco, com as patas decepadas perto do corpo.
As denúncias encaminhadas às autoridades incluem a identificação do suspeito e o endereço onde ele reside.
A Gazeta de Bananal não divulga nomes de investigados e atualizará as informações conforme manifestação oficial das autoridades sobre diligências, eventual flagrante, remoção do corpo do animal e andamento do inquérito.
Denúncias
Casos de maus-tratos podem ser denunciados à Polícia Militar (190), à Polícia Civil, à Polícia Ambiental e ao Ministério Público. Registros com fotos, vídeos, local e testemunhas fortalecem a responsabilização dos autores.
O que diz a lei
A legislação brasileira considera maus-tratos contra animais crime ambiental. A Lei Federal 9.605/1998 (artigo 32) prevê pena de detenção de três meses a um ano e multa para quem abusar, ferir ou mutilar animais domésticos, domesticados, silvestres ou exóticos. Em caso de morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.
Para cães e gatos, a chamada Lei Sansão (Lei 14.064/2020) é mais rigorosa e prevê reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. Para equinos, como no caso registrado em Bananal, valem as penas do artigo 32.
Além da esfera criminal, o Decreto Federal 6.514/2008 estabelece sanções administrativas, como multas, para infrações contra a fauna. Já em São Paulo, a Lei Estadual 11.977/2005, alterada pela Lei 17.497/2021, prevê que o agressor arque com custos de transporte, hospedagem e atendimento veterinário do animal, podendo perder a guarda e ficar proibido de ter novos animais por até cinco anos.
Fonte: Gazeta de Bananal
Detalhes do incidente chocam a comunidade
Segundo o site Mix Vale, a cavalgada, um evento comum no Sertão do Hortelã, não contava com fiscalização veterinária ou regulamentação específica para o bem-estar animal, segundo relatos de moradores. O cavalo branco, que não resistiu ao esforço físico, foi submetido a condições extremas, levantando questionamentos sobre a negligência do responsável. Uma testemunha, que participava da cavalgada, relatou à polícia que o animal parou de andar e deitou no chão, com sinais evidentes de exaustão. O tutor, aparentemente embriagado, foi visto com uma garrafa de bebida em uma mão e um facão preso à cintura, conforme vídeos que circulam online.
O depoimento do suspeito à Polícia Civil revelou que ele acreditava que o cavalo estava morto quando desferiu os golpes. No entanto, a testemunha afirmou ter presenciado apenas o primeiro golpe, sentindo-se mal e deixando o local sem saber o desfecho imediato. A mãe do jovem, em uma tentativa de justificar a ação, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que o filho estava transtornado e alcoolizado, mas a explicação não amenizou a revolta pública, que classificou o ato como bárbaro.
Repercussão nas redes sociais amplifica o caso
A indignação tomou proporções nacionais após a divulgação de imagens e vídeos do cavalo mutilado. A cantora Ana Castela, conhecida por sua paixão por cavalos, usou suas redes sociais para denunciar o caso, chamando o responsável de “covarde” e pedindo que ativistas como Luísa Mell e o delegado Bruno Lima se envolvessem. A publicação de Ana Castela, que incluiu fotos do suspeito montado em um cavalo semelhante ao mutilado, mobilizou milhões de seguidores, amplificando a pressão por justiça. A hashtag #JustiçaPeloCavalo tornou-se um dos assuntos mais comentados, com internautas exigindo punição rigorosa.
A mobilização online também destacou a falta de regulamentação em cavalgadas rurais. Especialistas em bem-estar animal apontaram que a ausência de veterinários e normas específicas contribui para tragédias como essa.
A Prefeitura de Bananal, por meio de nota, afirmou que encaminhou o caso à Polícia Ambiental e reiterou seu repúdio à violência contra animais, mas moradores cobram ações concretas para evitar novos incidentes.


