Vídeo: ‘Negrinho não entra mais’: fala de farmacêutica levou a indenização de R$ 56 mil
Foto e vídeo: redes sociais
A Justiça do Trabalho condenou a rede Raia Drogasil por danos morais sofridos pela ex-funcionária Noemi Ferrari, que denunciou ter sido alvo de ofensas racistas em um vídeo gravado por uma colega de cargo hierárquico superior em seu primeiro dia de trabalho, em 2018, em uma farmácia em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo .
Tanto a Justiça de primeira instância quanto o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) reconheceram que as falas configuraram racismo recreativo, o que levou ao pagamento de uma indenização por danos morais de R$ 56 mil à vítima.
“Essa daqui é a Noemi, nossa nova colaboradora. Fala um oi, querida. Tá escurecendo a nossa loja? Tá escurecendo. Acabou a cota, tá? Negrinho não entra mais”, diz a agressora, enquanto ri.
Após o episódio, Noemi relatou que continuou na empresa porque entendeu que podia fazer a diferença no ambiente, tanto que foi promovida a supervisora em 2020.
Em 2022, no entanto, ela afirmou que um supervisor a agrediu verbalmente e quase fisicamente. “Eu falei para a gerente: ‘Ou você me recoloca em outra loja ou me manda embora’. Ela me mandou embora em fevereiro.”
Justamente a demissão impulsionou a busca por seus direitos. “Eu não queria processar, queria esquecer essa etapa da minha vida, foi uma fase muito ruim. Mas aí recebi uma indireta de uma funcionária, como se eu tivesse jogado tudo para o alto a troco de nada. Esse foi o empurrãozinho”, explicou.
Após anos de batalha judicial, Noemi afirmou que conta com a família e amigos para seguir em frente. Atualmente, ela é gestora na área da saúde.
“Hoje eu estou bem, graças a Deus. Ir para a igreja, ter uma rede de apoio, estar com pessoas que eu amo, isso tem me feito bem. Minha psicóloga e meus advogados estão me apoiando bastante.”
Publicação de trechos do G1

