Denúncia passa, mas bastidores trabalham para “melar” Comissão Processante?
Foto: Helem Lara
O requerimento pedindo a cassação do mandado do vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Neto, assinado por Jerry Adriane, do PSOL, Mirinho, do PT e Rayi Tupinambás, foi admitido na reunião do Legislativo, nesta terça-feira, 21.
O requerimento justifica o pedido pelo abandono de função, comprometimento da imagem institucional do Executivo Municipal, ausência do cargo eletivo sem justificativa ou permissão legislativa por período superior a quinze dias.
Durante a Ordem do Dia, o presidente da Câmara, Antônio de Miranda, colocou em votação a admissibilidade da denúncia e ressaltou que a decisão pela admissibilidade da denúncia não cabe ao presidente, mas sim ao plenário da Casa. Assim, a admissibilidade de denúncia seguiu para votação.
A admissibilidade da denúncia acabou sendo aprovada por dez votos favoráveis dos vereadores Ana Carolina, Antônio José de Faria Jr, Aristides Ribeiro de Carvalho Filho, Dalmo Assis de Oliveira, Giordane Alberto Carvalho, Gustavo Barbosa, Israel Antônio Lúcio Neto, Kaio Guimarães, Lacimar Cezário da Silva e Márcia Cristina. Foram cinco abstenções, dos vereadores Alexandre Campos, Guilherme Rocha, Leonardo Alves, Wenderson Arlei da Silva e Rosse Andrade Silva, e um voto contrário, do vereador José Humberto Santiago Rodrigues, que é tio do vice-prefeito.
O passo seguinte foi a nomeação da Comissão Processante que vai analisar a denúncia e seguir com os trabalhos. No primeiro sorteio, foram sorteados os vereadores Márcia Cristina, José Humberto Santiago Rodrigues e Leonardo Alves. Os membros se reuniram e pontuaram que o nome do vereador José Humberto Santiago não poderia participar do sorteio, por ser parente do denunciado. Por isso, o presidente fez realizar um novo sorteio. Foram sorteados para compor a Comissão Processante os seguintes vereadores: Guilherme Rocha, como membro, Gustavo Barbosa, presidente e Dalmo Assis de Oliveira, relator.
Dalmo na quarta-feira, 22, pediu para deixar a relatoria, segundo informações, por causa de pressão sofrida por outro vereador. Um novo sorteio deve ser feito na próxima reunião, apenas para a vaga de Dalminho.
Interferência na votação?
A secretária de Desenvolvimento Social, Gláucia Santiago, que é mãe do vice-prefeito, Hidelbrando Neto, acompanhou a reunião da Câmara. Antes, porém, segundo informações obtidas pela GAZETA DE ITAÚNA, Gláucia se reuniu com alguns vereadores, alguns do PL, mesmo partido dela e outros do Novo, partido aliado. Gláucia levou consigo um advogado para a conversa com estes vereadores.
Na hora da votação, o vereador Alexandre Campos discursou sobre a Comissão Processante ser um processo equivocado no caso. Algo confuso como o fato de Hidelbrando nunca ter assumido a prefeitura em eventual viagem ou afastamento temporário do prefeito Gustavo Mitre. Alexandre quis convencer que a lei não se aplica a vice. Um discurso longo e sem quaisquer argumentos que pudessem fazer a Casa desistir da votação.
Segundo as informações que chegaram ao jornal, o discurso foi uma manobra de Gláucia. O documento teria sido escrito pelo advogado que a acompanhava e Alexandre fez como mandaram. Leu, mas não convenceu.
A próxima manobra esperada por algumas pessoas, é que vão buscar falhas nos ritos a serem seguidos durante o processo da CP.
Se ficar provado que Gláucia tentou interferir no processo, ela pode responder por isto legalmente.

