Carta aos noventistas: 30 anos de saudade

Carta aos noventistas: 30 anos de saudade

Sim, um período que pode parecer distante, porém ainda marca o coração de quem foi criança ou até mesmo pré-adolescente. Vamos embarcar para o ano de 1995. Teríamos tantas coisas bonitas para contar… Lembranças afetivas como canetas de várias cores, fitas K7 ou VHS, Mega Drive, Super Nintendo… Termos que parecem estranhos para a maioria das crianças e/ou adolescentes de 2026.

Banda Mamonas Assassinas, que fez sucesso com Júlio, Dinho, Sérgio, Samuel e Bento – Divulgação

Apesar desse leque tão variado, vamos focar em um tema específico: a catarse musical coletiva provocada por cinco jovens de Guarulhos.

É, meu caro amigo noventista… O coração pulsou diferente, não é mesmo?

Mais do que uma banda, os Mamonas Assassinas eram a personificação da alegria em forma de música. E boa música. Individualmente, grandes músicos. Júlio, Bento, Sérgio, Samuel e Dinho uniam ótimos arranjos a letras que faziam o Brasil sorrir. E aqui não quero fazer nenhum juízo de valor; afinal, sou um homem em eterna desconstrução. O fato é que, para o contexto da época, o país sorriu e cantou, quase uniformemente, sua Brasília Amarela, um “Vira” bem brasileiro, aquele sabão de rima simples ou o “Robocop” mais querido de todos.

Banda Mamonas Assassinas, com os integrantes Júlio, Dinho, Sérgio, Samuel e Bento • Divulgação

Shows lotados! Disco? Nem se fala… Mais de 3 milhões vendidos, sendo 1 milhão em apenas 100 dias. Um fenômeno da nossa história.

Nesse número de vendas, há um exemplar de fita K7 que me traz uma memória especial. Minha saudosa mãe literalmente a comprou para mim. Eu tinha apenas 10 anos quando os Mamonas tocariam, numa tarde, em minha cidade natal. Ganhei o presente para desistir de ir ao show. Que jovem “comprável” eu era… Com certeza, jamais imaginaria o que estava por vir.

Março de 1996… De tanto nos fazer rir, dessa vez, a banda dos nossos corações nos fazia chorar. Eu passava um final de semana com meu pai, em Itaúna, e eis que vemos um plantão da Globo. Primeiro o susto, até hoje normal para a vinheta, depois a dor…

Na próxima terça-feira, dia 2, essa despedida completa 30 anos. Três décadas de muita saudade de algo que marcou uma geração. Shows, programas de TV, discos… números que impressionam, mas que dificilmente conseguem ilustrar esse mix de sentimentos geracionais.

E o interessante é que o sucesso ainda é marcante. Em uma das plataformas de streaming, a música “Pelados em Santos” ultrapassa 68 milhões de execuções. No site da CNN Brasil, é possível encontrar uma matéria informando que, segundo a mesma plataforma, o público que mais escuta os Mamonas tem menos de 34 anos.

O texto de hoje é mais do que um relato ou uma matéria com dados e informações. É, sim, uma carta de um noventista que não é saudosista, mas alguém que se orgulha do que viveu em sua geração e compartilha com os demais noventistas um momento especial que marcou uma época.

Para quem não é noventista, mas tem curiosidade de saber como era aquele tempo, vou parafrasear os caras de Guarulhos: foi VERY GOOD!

Banda Mamonas Assassinas. Da esquerda para a direita Júlio Rasec, Dinho, Sérgio, Samuel e Bento • Divulgação
Hermano Martins

Hermano Martins

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